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domingo, 18 de junho de 2017

Qual é a velocidade inicial de um esteira para um hemiparético?

Prezados colegas fisioterapeutas e alunos

Espero que estejam bem e com saúde!

A minha postagem hoje é sobre o treino de marcha de hemiparéticos na esteira.

Hemiparéticos normalmente tem uma vida sedentária e pouco condicionamento físico, devido às alterações trazidas pelo déficit de movimento e função e isto pode aumentar o risco de recidiva de um outro acidente vascular cerebral (AVC), aumentar o risco de quedas, reduzir a participação de atividades sociais e familiares além de aumentar a dependência de outras pessoas.

Os hemiparéticos que atingem uma deambulação independente, porém podem apresentar redução de velocidade, distância percorrida, instabilidade postural, contribuindo ainda mais para a condição de sedentarismo e por isso surge a necessidade de treinamento físicos específicos para melhorar estas condições físicas e funcionais.

Frequentemente as sessões de fisioterapias tem suas bases em princípios do desenvolvimento neuro evolutivos que não apresentam estímulos suficientes para aumentar a desempenho cardiorrespiratório pós AVC.

O treino de marcha em esteira, realizado em intensidades variadas da frequência cardíaca de reserva, tem sido realizado como uma intervenção para aumentar a performance motora e a condição cardiorrespiratória de hemiparéticos, apesar das deficiências residuais, assimetrias e limitações nas atividades.

Para melhorar a performance motora de hemiparéticos crônicos há a necessidade de estabelecer parâmetros de treinamentos de maior intensidade cardiorrespiratória em centros de reabilitação para diminuir a condição de sedentarismo e melhorar assim diversos aspectos de sua saúde.

Antes de pensarmos em treinamento aeróbio precisávamos estabelecer parâmetros do treino inicial de marcha fora das barras paralelas e portanto, nossa primeira dúvida foi qual seria velocidade que deveríamos colocar na esteira para iniciar o treino de marcha dos nossos hemiparéticos.



Para tanto realizamos Teste de velocidade de marcha de 10 metros (TV10M) que é um teste quantitativo simples para avaliar a marcha e consiste em andar em velocidade habitual em um corredor de pelo menos 14 metros, onde o tempo necessário para percorrer os 10 metros centrais é registrado por meio de um cronômetro digital, sendo desconsiderados os dois metros iniciais e finais.

A seguir realizamos o Teste de Esforço (TES) para verificar a tolerância que os hemiparéticos tinham em relação ao exercício e à fadiga. Neste teste os hemiparéticos caminhavam num corredor de 30 metros sinalizado, onde eram estimulados constantemente pelo terapeuta até solicitarem para interromper a caminhada devido ao cansaço Este teste foi estabelecido, pois tínhamos a intenção de iniciarmos treinamentos de 30 minutos de esteira.

Na presença de sinais e sintomas como tontura, falta de ar, alteração brusca de frequência cardíaca ou dores intensas, finalizavámos o teste independente da ausência de fadiga.

Durante os testes verificávamos os parâmetros cardiorrespiratórios (pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de O2), em repouso e no final do teste. A frequência cardíaca monitorada constantemente para evitar que se ultrapassasse a frequência cardíaca máxima (FCM) determinada pela fórmula para aqueles que não utilizavam beta bloqueadores:

FCM: 220 - IDADE


Como calculamos a velocidade que os hemiparéticos realizaram os dois testes?

A partir da distância percorrida sobre o tempo gasto para a execução dos testes. Após o teste, verifica-se a distância percorrida e o tempo gasto para sua realização e a partir disto, calcula-se a velocidade da marcha utilizando a fórmula:

Velocidade: distancia /tempo

Como queríamos investigar qual seria a velocidade inicial de uma esteira para melhorarmos a performance motora funcional da marcha ou iniciar um treinamento aeróbio de hemiparéticos crônicos após os testes calculamos a velocidade de cada um. Portanto cada hemiparético tinha sua própria velocidade inicial de esteira.



Os resultados do nosso estudo mostraram velocidades semelhantes entre o TV10M e TES. Os resultados de TV10M não revelaram o tempo de tolerância que os hemiparéticos tinham ao exercício contínuo da marcha devido a própria característica do teste.

Já com TES pudemos obter além o tempo de tolerância, a distância percorrida e consequentemente a velocidade da marcha. Neste teste muitos pacientes não deambulavam muitos minutos demonstrando claramente a falta de condicionamento físico revelando uma vida sedentária.

Vários trabalhos demonstram treinamento de marcha de hemiparéticos na esteira com duração de 20 a 60 minutos em diferentes intensidades. Os parâmetros de treinamento devem ser estudados para serem estabelecidos progressivamente e com segurança.

O TES se revelou é um importante e instrumento para avaliar hemiparéticos cujo objetivo for treino enquanto que o TV10M pode ser utilizado para iniciar a adaptação do treino de marcha na esteira.

A pérola fisioterapêutica desta postagem norteia-se em:

O treina de marcha em esteira pode estar associado a fisioterapia convencional e a velocidade desta esteira pode ser estabelecida com o teste de caminhada de 10 metros. O tempo de duração do treino pode estabelecido a partir do teste esforço.

Por hoje é isto!
Espero que vocês possam pensar neste assunto, utilizarem em seus pacientes e fazerem suas considerações deixando um comentário e compartilhando este post.

Um abraço fisioterapêutico.
Augusto Cesinando

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Esta postagem está baseada no trabalho Como determinar a velocidade inicial da esteira no treinamento aeróbio de hemiparéticos crônicos? publicado na Revista Acta Fisiatr. 2016;23(1):12-15 cujos autores são: Augusto Cesinando de Carvalho, Fernanda Contri Messali, Roselene Modolo Regueiro Lorençoni, Fabricio Eduardo Rossi, Lucia Martins Barbatto, Tania Cristina Bofi, Fabiana Araujo Silva4, Luiz Carlos Marques Vanderlei.

domingo, 23 de agosto de 2015

Fisioterapia em grupo no formato de circuito de treinamento

Prezados Colegas e alunos

Espero que estejam bem e com saúde!

A minha postagem hoje será sobre a prática de tarefas orientadas em fisioterapia em grupo no formato de circuito de treinamento.

A reabilitação visa reduzir a incapacidade para otimizar o desempenho de tarefas diárias, todavia muitos pacientes apresentam deficiências motora funcionais crônicas. Muitas pessoas podem caminhar de forma independente; no entanto, apenas uma pequena proporção pode andar com velocidade suficiente e resistência para habilitar-se a caminhar efetivamente na sua comunidade.

A intensificação da atividade física impulsiona a recuperação funcional após um acidente vascular cerebral (AVC), e há fortes evidências de que quanto mais tempo se gasta em terapia específica para a tarefa melhores resultados funcionais serão alcançados. Além disso, muitas repetições de tarefas específicas têm mostrado facilitar positivamente a neuroplasticidade em sobreviventes de AVC.

Métodos terapêuticos que forneçam uma quantidade maior da terapia baseada em tarefas específicas na recuperação funcional são bem aceitos. A fisioterapia em grupo no formato de circuito de treinamento (FGCT) é um modelo de terapia com tarefas específicas e tem demonstrado ser um meio muito eficaz e com uma boa relação custo benefício(1, 2).

Fornecer terapia para tarefas específicas a grupos de hemiparéticos tem sido proposto como um método de aumentar a quantidade de tempo que as pessoas passam ativamente empenhados numa tarefa. Outros benefícios da terapia de grupo incluem o apoio dos pares e interrelação social bem como a economia de custos para o sistema de saúde.

Após estudos estabelecemos um modelo de FGCT no Centro de Estudos e Atendimentos em Fisioterapia e Reabilitação (CEAFIR) na UNESP, campus de Presidente Prudente.

A FGCT é composto de estações são espaços montados com graus de dificuldades diferentes na realização do exercício. São utilizados bastões, cadeiras, escada e rampa, cones, mapas de sinalização na construção das estações.


A figura abaixo apresenta as tarefas específicas das estações 1, 3 e 4.


1ª Estação: Paciente sentado numa cadeira com as mãos entrelaçadas deve fazer flexão de ombro com flexão completa de tronco até tocar ao chão em seguida fazer a rotação de tronco.
3ª Estação: Paciente em pé com as mãos entrelaçadas deve fazer a flexão completa de ombro esticando uma corda elástica.
4ª Estação: Paciente em pé segurando uma barra deve baixar até próximo ao chão, tornozelos.

A figura abaixo apresenta as tarefas específicas das estações 2, 5 e 6.


2ª Estação: Três círculos de 15 cm formando um triângulo são colados na parede a 120 cm do chão. O paciente deve tocar cada círculo com as mãos entrelaçadas.
5ª Estação: Três círculos de 15 cm formando um triângulo são colados na parede no chão. O paciente deve tocar cada círculo utilizando um bastão com as mãos entrelaçadas. O paciente deve ficar o mais distante possível.
6ª Estação: Três círculos de 15 cm formando um triângulo são colados na parede a 220 cm do chão. O paciente deve tocar cada círculo utilizando um bastão com as mãos entrelaçadas.

A figura abaixo apresenta as tarefas específicas das estações 7, 8, 9 e 10.


7ª Estação: Um espaldar em frente ao paciente. Na posição ortostática numa das barras o paciente fazer a dorsoflexão e flexão plantar.
8ª Estação: Uma barra paralela Na posição ortostática segurando na barra o paciente deve andar lateralmente pulando cada obstáculo no chão.
9ª Estação: Uma escada de madeira com 5 degraus que termina numa plataforma de 90 x 90 cm e seguida inicia uma rampa de 6 graus de inclinação. O paciente deve subir pela escada e descer pela rampa e vice versa.
10ª Estação: Um bastão e dois círculos pregados no chão. O paciente em pé segurando um bastão com as mãos entrelaçadas faz o movimento de rotação de tronco acertando cada círculo.

No início de cada sessão de FGCT são distribuídos cartões com o número da estação que cada hemiparético irá iniciar a sua atividade. A distribuição ocorre para ter uma melhor organização da dinâmica, além de estimular a cognição, a organização pessoal e a noção espacial. São alocados no máximo 2 pacientes em cada estação.

As estações podem ser mudadas de posição para melhorar a capacidade de resolução de problemas espaciais.

O tempo em que os hemiparéticos ficam em cada estação é de 2 minutos e ao final trocam de estações, ou seja, quem estava na estação número 1 é encaminhado para a estação número 2 e assim sucessivamente. Todo esse processo ocorre durante 1 hora e cada paciente passa pela mesma estação mais de uma vez. O fisioterapeuta pode introduzir a contagem do número de repetições, além pode dar um tempo de descanso entre as estações.

A FGCT é considerada um programa de intervenção terapêutica adaptada com foco na prática de tarefas específicas funcionais fornecida a mais de 2 participantes com semelhante ou diferentes graus de capacidade funcional. 

O interessante desta terapia é que ela desenvolve a responsabilidade do hemiparético coordenar seu movimento e a qualidade do mesmo, além da oportunidade de se comparar com o seu parceiro de estação.

O progresso dos participantes deve ser continuamente monitorado com escalas de avaliações e atividades são adaptadas conforme necessário.

A progressão do grau de dificuldade pode ser realizada periodicamente. Cada estação pode ser elaborada pelo fisioterapeuta para atender a demanda dos seus pacientes.

A experiência alcançada com este modelo terapêutico nos permite afirmar que os hemiparéticos apresentam-se motivados durante as atividades propostas e demonstram satisfeitos com a terapia, pois participam efetivamente durante das tarefas, além disso, o tratamento proporciona uma interação social entre hemiparéticos e também pode ser interpretado como um estímulo durante esta a prática de exercícios funcionais repetidas vezes.

Podemos inferir que os hemiparéticos tem uma maior possibilidade de melhorar a mobilidade e autonomia funcional. Os exercícios utilizados durante as terapias parecem exigir mais fisicamente do que àqueles utilizados durante as terapias convencionais. Além disso, é um espaço terapêutico seguro, viável e aplicável em hemiparéticos crônicos, que pode ser oferecido ao paciente no momento da alta da fisioterapia convencional, dando lhe a oportunidade de se manterem ativos e de se adaptarem às suas limitações, evitando a progressão das suas incapacidades e sedentarismo.

A pérola fisioterapêutica desta postagem norteia-se em:

A fisioterapia em grupo no formato de circuito de treinamento de tarefas específicas é uma possibilidade a mais que o fisioterapeuta tem para oferecer aos seus pacientes para melhorar a habilidade motora e a qualidade de vida do paciente.


Por hoje é isto!
Espero que você possa pensar neste assunto, utilizar em seus pacientes e fazer suas considerações deixando um comentário e compartilhando este post.


Um abraço fisioterapêutico.

Bibliografia sugerida:

1.    Dean CM, Richards CL, Malouin F. Task-related circuit training improves performance of locomotor tasks in chronic stroke: a randomized, controlled pilot trial. Arch Phys Med Rehabil. 2000 Apr;81(4):409-17
2.    English C, Hillier S. Circuit class therapy for improving mobility after stroke: a systematic review. J Rehabil Med. 2011 Jun;43(7):565-71.
3.   English C, Bernhardt J, Crotty M, Esterman A, Segal L, Hillier S. Circuit class therapy or seven-day week therapy for increasing rehabilitation intensity of therapy after stroke (CIRCIT): a randomized controlled trial. Int J Stroke. 2015 Jun;10(4):594-602.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Preocupação com a mobilidade responsável pela funcionalidade de hemiplégicos


Prezados Colegas,
Espero que estejam bem e com saúde!

Esta postagem trata do porquê que um fisioterapeuta deve se preocupar com a mobilidade responsável pela funcionalidade diária de um paciente hemiplégico.

Durante a avaliação de um paciente deve se questionar como ele realiza os movimentos responsáveis pelas atividades funcionais, pois é neste momento que se obtém informações do paciente e de sua família sobre o comportamento funcional frente ao déficit de mobilidade determinado pelo acidente vascular encefálico (AVE). O Índice de Barthel Modificado (IBM) é uma escala que pode facilitar esta avaliação.

O IBM dá condições de analisar a independência funcional no cuidado pessoal, mobilidade, locomoção e cada item é pontuado de acordo com o desempenho do paciente em realizar tarefas de forma independente, com alguma ajuda ou de forma dependente. Uma pontuação geral é formada atribuindo-se pontos em cada categoria, a depender do tempo e da assistência necessária a cada paciente. A pontuação varia de 0 a 50, em intervalos de cinco pontos e as pontuações mais elevadas indicam maior independência. A versão utilizada avalia a independência funcional em dez tarefas: alimentação, banho, vestuário, higiene pessoal, controle de esfíncter intestinal, controle de esfíncter vesical, uso do vaso sanitário, transferência cadeira-cama, deambulação e escadas.

ÍNDICE DE BARTHEL MODIFICADO

1. Alimentação

1.   Dependente. Precisa ser alimentado.
2.   Assistência ativa durante toda tarefa.
3.   Supervisão na refeição e assistência para tarefas associadas (sal, manteiga, fazer o prato).
4.   Independente, exceto para tarefas complexas como cortar a carne e abrir leite.
5.   Independente. Come sozinho, quando se põe a comida ao seu alcance. Deve ser capaz de fazer as ajudas técnicas quando necessário.
                                                                                                   Subtotal:
2. Higiene Pessoal
1.   Dependente. Incapaz de encarregar-se da higiene pessoal.
2.   Alguma assistência em todos os passos das tarefas.
3.   Alguma assistência em um ou mais passos das tarefas.
4.   Assistência mínima antes e/ou depois das tarefas.
5.   Independente para todas as tarefas como lavar seu rosto e mãos, pentear-se, escovar os dentes, e fazer a barba. Inclusive usar um barbeador elétrico ou de lâmina, colocar a lâmina ou ligar o barbeador, assim como alcançá-las no armário. As mulheres devem conseguir se maquiar e fazer penteados, se usar.
                                                                                                   Subtotal:

3. Uso do banheiro

1.   Dependente. Incapaz de realizar esta tarefa. Não participa.
2.   Assistência em todos os aspectos das tarefas.
3.   Assistência em alguns aspectos como nas transferências, manuseio das roupas, limpar-se, lavar as mãos.
4.   Independente com supervisão. Pode utilizar qualquer barra na parede ou qualquer suporte se o necessitar. Uso de urinol à noite, mas não é capaz de esvaziá-lo e limpá-lo.
5.   Independente em todos os passos. Se for necessário o uso de urinol, deve ser capaz de colocá-lo, esvaziá-lo e limpá-lo.
                                                                                                   Subtotal:

4. Banho

1.   Dependente em todos os passos. Não participa.
2.   Assistência em todos os aspectos.
3.   Assistência em alguns passos como a transferência, para lavar ou enxugar ou para completar algumas tarefas.
4.   Supervisão para segurança, ajustar temperatura ou na transferência.
5.   Independente. Deve ser capaz de executar todos os passos necessários sem que nenhuma outra pessoa esteja presente.
                                                                                                   Subtotal:
5. Continência do esfíncter anal.
1.   Incontinente.
2.   Assistência para assumir a posição apropriada e para as técnicas facilitatórias de evacuação.
3.   Assistência para uso das técnicas facilitatórias e para limpar-se. Freqüentemente tem evacuações acidentais.
4.   Supervisão ou ajuda para por o supositório ou enema. Tem algum acidente ocasional.
5.   O paciente é capaz de controlar o esfíncter anal sem acidentes. Pode usar um supositório ou enemas quando for necessário.
                                                                                                   Subtotal:

6. Continência do esfíncter vesical

1.   Incontinente. Uso de caráter interno.
2.   Incontinente, mas capaz de ajudar com um dispositivo interno ou externo.
3.   Permanece seco durante o dia, mas não à noite, necessitando de assistência de dispositivos.
4.   Tem apenas acidentes ocasionais. Necessita de ajuda para manusear o dispositivo interno ou externo (sonda ou catéter). 
5.   Capaz de controlar seu esfíncter de dia e de noite. Independente no manejo dos dispositivos internos e externos.
                                                                                                   Subtotal:

7. Vestir-se

1.   Incapaz de vestir-se sozinho. Não participa da tarefa.
2.   Assistência em todos os aspectos, mas participa de alguma forma.
3.   Assistência é requerida para colocar e/ou remover alguma roupa.
4.   Assistência apenas para fechar botões, zíperes, amarrar sapatos, sutiã, etc.
5.   O paciente pode vestir-se, ajustar-se e abotoar toda a roupa e dar laço (inclui o uso de adaptações). Esta atividade inclui o colocar de órteses. Podem usar suspensórios, calçadeiras ou roupas abertas.
                                                                                                   Subtotal:
8. Transferências (cama e cadeira)
1.   Dependente. Não participa da transferência. Necessita de ajuda (duas pessoas).
2.   Participa da transferência, mas necessita de ajuda máxima em todos os aspectos da transferência.
3.   Assistência em algum dos passos desta atividade.
4.   Precisa ser supervisionado ou recordado de um ou mais passos.
5.   Independente em todas as fases desta atividade. o paciente pode aproximar da cama ( com sua cadeira de rodas ), bloquear a cadeira, levantar os pedais, passar de forma segura para a cama, virar-se, sentar-se na cama, mudar de posição a cadeira de rodas, se for necessário para voltar e sentar-se nela e voltar à cadeira de rodas.
                                                                                                   Subtotal:

9. Subir e descer escadas

1.   Incapaz de usar degraus.
2.   Assistência em todos os aspectos.
3.   Sobe e desce, mas precisa de assistência durante alguns passos desta tarefa.
4.   Necessita de supervisão para segurança ou em situações de risco.
5.   Capaz de subir e descer escadas de forma segura e sem supervisão. Pode usar corrimão, bengalas e muletas, se for necessário. Deve ser capaz de levar o auxílio tanto ao subir quanto ao descer.
                                                                                                   Subtotal:

10. Deambulação

1.   Dependente na deambulação. Não participa.
2.   Assistência por uma ou mais pessoas durante toda a deambulação.
3.   Assistência necessária para alcançar apoio e deambular.
4.   Assistência mínima ou supervisão nas situações de risco ou período durante o percurso de 50 metros.
5.   Independente. Pode caminhar, ao menos 50 metros, sem ajuda ou supervisão. Pode usar órtese, bengalas, andadores ou muletas. Deve ser capaz de bloquear e desbloquear as órteses, levantar-se e sentar-se utilizando as correspondentes ajudas técnicas e colocar os auxílios necessários na posição de uso.
                                                                                                   Subtotal:
10-A. Manuseio da cadeira de rodas (Alternativo para deambulação)
1.   Dependente na deambulação em cadeira de rodas.
2.   Propulsiona a cadeira por curtas distâncias, superfícies planas. Assistência em todo o manejo da cadeira.
3.   Assistência para manipular a cadeira para a mesa, cama, banheiro, etc.
4.   Propulsiona em terrenos irregulares. Assistência mínima em subir e descer degraus, guias.
5.   Independente no uso de cadeira de rodas. Faz as manobras necessárias para se deslocar e propulsiona a cadeira por pelo menos 50 metros.
                                                                                                   Subtotal:
                                                                                      Total de pontos:

Fontes:
1) CARRILO, M. D. V.; GARCIA, M. F.; BLANCO, I. S. Escalas de actividade de la vida diaria. Rehabilitación. v. 28, n. 6, p. 377-388, 1994; 2) CHAGAS, E. F. Proposta de avaliação da simetria e transferência de peso e a relação desta condição com a atividade funcional do hemiplégico. 1999. 127f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas; 3) SHAH, S.; VANCLAY, F.; COOPER, B. Improving the sensitivity of the Barthel index for stroke rehabilitation. J. Clin Epidemiol, v. 42, n. 8, p. 703-709, 1989.

Muitas vezes observa-se que a família não permite ou protege o paciente das atividades das quais ele é capaz ou parcialmente capaz. Muitas famílias não retornam a rotina, como a de servir almoço na mesa da cozinha dando a alimentação na cama ou mesmo servindo na boca, além disso, durante o banho o paciente não participa da sua higiene, ficando ao cuidador realizar todas as tarefas. Muitos pacientes passam a maior parte do tempo sentados em sofás em frente à televisão ou em suas camas impedindo todas as suas experiências funcionais, podendo determinar uma sequela irrecuperável.

O fisioterapeuta deve lembrar a família e o cuidador que ainda que se gaste mais tempo quando o paciente realiza as atividades, cada movimento é muito importante para a recuperação das atividades gerais.

A falta de experiência que uma família tem quando um parente tem um AVE é nítida, pois as pessoas querem fazer tudo para o paciente. Isto é muito importante na fase aguda, todavia, isto não pode perdurar por semanas, pois o retorno das funções devem ser estimuladas já nas primeiras semanas, já que o retorno funcional deve ocorrer nos primeiros meses.

O medo da queda é um dos fatores que parece ser determinante para que as famílias façam todas as atividades para o paciente, associado ao cuidado excessivo por falta de orientação. A perda motora de um hemicorpo deve ser considerada e o paciente realmente precisa ser protegido e auxiliado. Porém, quando se observa o mínimo de movimentos deve-se estimular e propor tarefas e objetivos a serem alcançados.

Durante avaliação o fisioterapeuta deve explicar a importância de cada item avaliado e dar orientações de como vencer os obstáculos para melhorar o déficit apresentado com exercícios terapêuticos diários.

O índice deve ser visto como um ótimo roteiro de orientação e o fisioterapeuta pode criar suas atividades terapêuticas para melhorar os escores de cada item dividindo a responsabilidade com a família e o paciente.

As figuras ilustram alguns itens que são avaliados pelo IBM. Importante lembrar que a terapêutica utilizada pelo fisioterapeuta objetiva dar amplitude de movimento, força muscular, coordenação e equilíbrio para que as funções sejam executadas da melhor forma possível.



Esta avaliação pode ser feita periodicamente com o paciente e o cuidador, demonstrando a evolução dos resultados a cada avaliação e propondo novas tarefas para melhorar estes valores. Além disso, quando se estuda a dificuldade observada em cada item o fisioterapeuta pode propor exercícios que utilizem músculos e articulações responsáveis pela melhora da execução da tarefa deficitária.

Exemplos:

1) Para se sentar num vaso sanitário é necessário ter força muscular em flexores e extensores de quadris e joelhos, e podem ser treinados diariamente longe do vaso sanitário;
2) A fraqueza muscular de músculos da região do ombro e escápula podem dificultar a mobilidade necessária para a higiene pessoal. Uma vez testada a mobilidade e a força muscular, o treinamento destes facilitará a função;
3) O déficit de equilíbrio prejudica o ortostatismo de curto e longo período e o treinamento específico para desta debilidade poderá melhorar atividades funcionais.

A pérola fisioterapêutica desta postagem norteia-se em:

O fisioterapeuta deve fundamentar suas terapêuticas no retorno do movimento  para uma vida funcional adequada, além de conscientizar o paciente e sua família da importância da execução dos exercícios para o retorno funcional.

Por hoje é isto!
Espero que você possa pensar neste assunto e fazer suas considerações deixando um comentário e compartilhando este post.
Um abraço fisioterapêutico.