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domingo, 4 de janeiro de 2015

Link com avaliações de um paciente neurológico

Prezados Colegas
Espero que estejam bem e com saúde!

Vou iniciar minha postagem de 2015 apresentando um link com escalas de avaliações que utilizamos para analisar movimentos e atividades motoras funcionais de um paciente neurológico, e a partir destes resultados avaliar sua independência funcional.

O fisioterapeuta deve ter dados numéricos do seu paciente para que possa comparar ao longo do tempo e esclarecer ao paciente, sua família ou cuidador sobre as consequências desencadeadas pela doença. Pode utilizar as escalas para demonstrar os objetivos da fisioterapia na amenização estas consequências ou mesmo restabelecer a normalidade anterior a doença.

Uma escala de avaliação serve também como um guia de tratamento a partir da qual o fisioterapeuta pode e deve traçar seus objetivos fisioterapêuticos.

A família e o cuidador devem participar do processo de avaliação para que possam compreender a necessidade da intervenção fisioterapêutica nos períodos em que o paciente não está sendo tratado numa clínica de fisioterapia.

A escala de avaliação traz à luz da consciência valores dos sinais e sintomas de uma patologia e esclarece aquele que sofre com a doença e também aquele que acompanha.

A falta de experiência que uma família com a doença dá ao fisioterapeuta a responsabilidade de demonstrar claramente os motivos das avaliações e seus objetivos.

Durante avaliação o fisioterapeuta deve explicar a importância de cada item avaliado e dar orientações para melhorá-los. Além disso, deve explicar a importância do déficit apresentado e a importância com exercícios terapêuticos diários para amenizar os sinais e sintomas da doença.

O resultado final de cada avaliação deve ser visto como um desafio para o paciente, família, cuidador e fisioterapeuta.

As avaliações devem ser feitas periodicamente com o paciente, demonstrando a evolução dos resultados e a cada avaliação uma nova proposta de tarefas para melhorar os valores.

Quando o fisioterapeuta elege uma escala de avaliação não significa que ele está abandonando as avaliações clássicas e sim aprimorando sua avaliação. Não se deve acreditar que a relação torna-se cartesiana, pois as escalas exigem um bom relacionamento entre o paciente e terapeuta.

Antes do fisioterapeuta eleger uma escala deve estudá-la e ver suas aplicabilidades e formas de utilização. Algumas delas demonstram parâmetros de normalidade outras não, todavia todas elas revelam as dificuldades no momento da avaliação que poderão ser comparadas posteriormente.

Utilizo o link a seguir como uma ferramenta de comunicação com meu alunos. Nele apresento as várias avaliações que utilizamos com nossos pacientes e você poderá utilizar com seus pacientes também. Se você tiver alguma dificuldade ou dúvida, não hesite em me perguntar:
A pérola fisioterapêutica desta postagem norteia-se em:
O fisioterapeuta deve fundamentar suas terapêuticas numa boa avaliação. 

Por hoje é isto!

Espero que você possa pensar neste assunto e fazer suas considerações deixando um comentário e compartilhando este post.
Feliz 2015
Um abraço fisioterapêutico.



domingo, 2 de novembro de 2014

Como combater o sedentarismo no hemiparético?

Prezados Colegas,
Espero que estejam bem e com saúde!

Esta postagem trata do sedentarismo do paciente hemiparético.

Muitos pessoas após um acidente vascular encefálico (AVE) tornam-se hemipáreticos com um estilo de vida sedentário e um baixo desempenho das atividades da vida diária. Este estilo de vida sedentária contribui para um aumento do risco de ter um outro AVE e adquirir  outras doenças cardiovasculares.

Embora os sobreviventes de um AVE variam o grau de funcionalidade, diversos estudos tem encontrado baixos níveis de atividade física em hemiparéticos. Estes níveis são menores do que a de adultos mais velhos com outras condições crônicas de saúde.

A atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético, enquanto que o exercício é um subconjunto de atividades físicas planejadas, estruturadas e repetitivas. Ambos melhoram ou mantém a aptidão física.

Há fortes evidências de que o exercício físico após o AVE pode melhorar a aptidão cardiovascular, capacidade de andar, a força muscular dos membros superiores e inferiores, o equilíbrio e a participação social. Além disso, tem sido utilizado  para melhorar os sintomas depressivos, a função executiva e memória do cérebro, a fadiga e a qualidade de vida.

Hemiparéticos sobreviventes de AVE podem se beneficiar do aumento da participação em atividades físicas, a partir de uma prescrição adequada para o treinamento físico. Portanto, fisioterapeutas precisam criar e ministrar uma programação exercício para seus pacientes, além das manobras fisioterapêuticas clássicas nas posições deitada, sentada e em pé. 

Artigos na literatura declaram uma lacuna de conhecimento atual em recomendações de atividade e exercício físico na população hemiparética.

Após um AVE recuperação total é alcançada em apenas uma pequena proporção dos sobreviventes e observa-se limitações de atividade das tarefas diárias após os 6 meses do insulto.

O sedentarismo é particularmente desconcertante em muitos dos hemiparéticos que tem a capacidade de empreender maiores níveis de atividade física, mas optam por não mudar seus estilos de vida por razões que perpassam pela (a) falta de consciência de que exercício é viável, e importante para uma vida mais saudável; (b) dificuldade de acesso a locais que tratem com exercícios periódicos estruturados e progressivos, (c) influências sociais e ambientais, tais como os custos do programa, meios de transporte, acessibilidade, apoio familiar, políticas sociais, dentre outras razões. O estilo de vida não é uma característica isolada e sim um conjunto de fatores.

Além destas razões deve-se lembrar que pacientes com AVE tem uma elevada prevalência de problemas médicos associados. Condições pré-existentes ao insulto como a hipertensão crônica, fibrilação atrial, hiperlipidemia, obesidade, fumante, etilismo crônico, síndrome metabólica e diabete mellitus podem ter implicações importantes no comportamento sedentário.

Estas condições podem criar um círculo vicioso de diminuição da atividade e maior intolerância ao exercício, o que leva a complicações secundárias, como a redução da aptidão cardiorrespiratória, aumento da fatigabilidade, fraqueza muscular, osteoporose e circulação prejudicada para as extremidades inferiores. Associado a isto, observa-se ainda a diminuição da auto eficácia, maior dependência de outras pessoas para as atividades da vida diária, e reduzida capacidade para interações sociais normais que pode ter um impacto psicológico negativo profundo.

A existência de condições cardiovasculares, antes ou depois do AVE podem atrasar ou inibir a participação em um programa de exercícios e limitar a capacidade do paciente de realizar atividades funcionais de forma independente. Há fortes evidências para uma clara relação inversa entre atividade física e saúde cardiovascular.

A inatividade ao longo dos dias, das semanas e dos meses é um dos maiores problemas relacionados com o declínio da mobilidade pós AVE e programas que evitem o sedentarismo, que melhorem a marcha e atividades relacionadas a marcha são muito importantes para hemiparéticos. Estudos indicam que mesmo na fase crônica, podem ocorrer mudanças na capacidade de andar, quando hemiparéticos são submetidos a intervenções fisioterapêuticas específicas.

Intervenções cardiorrespiratória ainda não fazem parte dos programas rotineiros de centros de reabilitação neurológica e frequentemente as terapias tem suas bases em princípios do desenvolvimento neuro evolutivos como o conceito Bobath.

Convivendo com nossos hemiparéticos sedentários na FCT-UNESP começamos estudar protocolos de tratamento para implementar nossa prática fisioterapêutica e melhorar a qualidade de vida destes pacientes.

Encontramos diversos estudos e revisões sistemáticas demonstram que diferentes formas de treinamento, todavia não há um consenso sobre o assunto, pois existe uma diversidade muito grande: 1) fase pós AVE ( agudo, sub agudo e crônico), 2) treinamento com ou sem a suspensão de peso, 3) treino de caminhada com ou sem esteira, 4) intensidade do treinamento (variação de 50 a 80% da frequência cardíaca de reserva), 5) duração do treinamento (4 a 16 semanas), 6) instrumentos de avaliação (Teste de caminhada de 6min, Teste de velocidade de marcha de 10metros, Escala de Equilíbrio de Berg, etc).

Diante deste nosso debruçar sobre a literatura observamos que  o treinamento de marcha na esteira tem demonstrado uma ótima estratégia/ferramenta para retirar os nossos pacientes do sedentarismo e melhorar a qualidade de vida e motricidade funcional, todavia  antes de iniciarmos o treinamento na esteira surgiram algumas perguntas que serão respondidas ao longo das próximas postagens:



Pode-se perceber com estas perguntas que o fisioterapeuta precisa estar preparado para alterar o comportamento sedentário e que o processo é complexo e necessita de muita responsabilidade tanto do terapeuta como do paciente e seus familiares.

Mudanças de tempo.
Os exercícios físicos aeróbicos chegaram na neurologia. A figura demonstra dois pacientes sendo submetidos a um protocolo de treinamento aeróbico em estudo na FCT-UNESP. 

As próximas postagens trarão maiores detalhes/respostas de cada pergunta apresentada e os diferentes protocolos existentes na literatura para você pensar, estudar e praticar com seus pacientes.



A pérola fisioterapêutica desta postagem norteia-se em:

A prática de exercícios aeróbicos em pacientes neurológicos tem sido cada vez mais difundida na literatura e cabe a nós fisioterapeutas quebrar os paradigmas de que o paciente neurológico não pode fazer exercícios pois aumenta o padrão espásticos e postural.

Por hoje é isto!
Espero que você possa pensar neste assunto e fazer suas considerações deixando um comentário e compartilhando este post.
Um abraço fisioterapêutico.

domingo, 22 de junho de 2014

Fortalecimento muscular em hemiparéticos

Prezados Colegas,
Espero que estejam bem e com saúde!

Esta é minha segunda postagem sobre fisioterapia neurológica. Quando se inicia o atendimento de um hemiparético se faz necessário considerar diversos aspectos, por isso, vou ponderar alguns deles:

O tempo de lesão:

Diversos autores descrevem que o período de melhora funcional ocorre nos primeiros seis meses e pode estender até um ano, depois deste período, o paciente entra em uma fase de estabilização e a melhora torna-se muito discreta.

Diante disto, o paciente e sua família devem se esforçar muito para obter o máximo das habilidades/capacidades motoras perdidas pelo acidente vascular encefálico (AVE). A prática domiciliar dos exercícios aprendidos durante as sessões de fisioterapia deve ocorrer diariamente e o fisioterapeuta deve enfatizar a importância destes exercícios para o paciente e sua família, além tempo limite para uma boa recuperação da motricidade voluntária.

Perda da motricidade voluntária:

A lesão neuronal pelo AVE determina a perda/déficit de movimentos e, consequentemente, a fraqueza muscular com o encurtamento das fibras musculares e do tecido conjuntivo envoltório e por isso, tem se observado cada vez mais o fortalecimento muscular na reabilitação do hemiparético.

A mobilização passiva e a assistida são utilizadas para manter a amplitude articular, elasticidade muscular e a modulação do tônus. 

A espasticidade foi tida por muito tempo como um sinal que restringia o fortalecimento, todavia, muitos autores têm demonstrado que hemiparéticos com amplitude de movimento relativa e espasticidade moderada têm apresentado resultados motores funcionais relevantes.

É importante ressaltar que a motricidade voluntária após um AVE ocorre com a repetição de movimentos voluntários e que a introdução progressiva de carga faz parte do processo de ganho de força muscular. Ressalta-se ainda, que retirar o pé do chão para iniciar a marcha ou pegar um copo de água exige força muscular e este aspecto não pode ser desconsiderado.

As imagens abaixo demonstram o fisioterapeuta facilitando movimentos do membro superior, tronco e inferior com exercícios passivos, ativos e assistidos. Estes exercícios facilitam o ressurgimento dos movimentos pós AVE. 

O fisioterapeuta deve solicitar o máximo de atenção do paciente para que o mesmo se esforce para realizar uma contração muscular ou um movimento ainda que com pequena amplitude. Estes movimentos devem ser repetidos várias vezes numa sessão e um programa com os mesmos exercícios deve ser elaborado para proporcionar uma melhor neuroplasticidade.  


Os movimentos resistidos com corda elástica apresentados no vídeo abaixo representam um tratamento de fortalecimento numa paciente hemipáretica com boa amplitude articular e espasticidade leve na musculatura tratada (Escala de Ashworth Modificada: 1+).


Inicialmente foi realizado teste de força muscular e teste de caminhada de 10 metros e em seguida testou-se a melhor corda elástica para realizar 3 séries de 15 repetições sem que houvesse fadiga durante o tratamento ou dores no dia seguinte. A paciente foi orientada realizar os mesmo exercícios com a corda em casa. 

As avaliações periódicas estabeleceram a progressão da resistência da corda. 

Um programa de fortalecimento para os músculos dos membros superiores também foi realizado nesta paciente, todavia não estão demonstrados no filme.


 A pérola fisioterapêutica desta postagem norteia-se em:

As manobras fisioterapêuticas passivas, ativas e as assistidas devem ocorrer na fase inicial após um AVE e tão logo os movimentos ativos surjam deve-se pensar em formas de fortalecimento muscular.

Um programa de fortalecimento deve ser estudado e aplicado. As avaliações de força muscular e avaliações funcionais devem ser aplicadas. 

O paciente e sua família devem ser orientados a reproduzir em casa os exercícios  aprendidos na sessão de fisioterapia para garantir um melhor prognóstico motor funcional.

Por hoje é isto!


Espero que você possa pensar neste assunto e fazer suas considerações deixando um comentário e compartilhando o post. 
Um abraço fisioterapêutico.